Incontinência fecal: por que acontece e quais são as opções de tratamento

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Carolina Hungria | Proctologista em São José dos Campos

Perder gases sem perceber durante uma reunião. Pequenos escapes de fezes líquidas que mancham a roupa íntima ao longo do dia. Deixar de sair de casa para ficar perto de um banheiro. Evitar viagens, jantares ou encontros por receio de acidentes. A incontinência fecal vai muito além do sintoma físico. Ela pode afetar o trabalho, a vida social, os relacionamentos e a autoestima de forma significativa. E, ao contrário do que muitas pessoas acreditam, existem opções eficazes de tratamento.

Neste artigo, explico o que é a incontinência fecal, por que ela acontece, como é feita a investigação e quais são as opções de tratamento disponíveis atualmente.

O que é incontinência fecal?

Incontinência fecal é a perda involuntária de gases, fezes líquidas ou fezes sólidas pelo ânus. Ela pode variar desde escapes ocasionais e discretos até perdas mais frequentes e volumosas. Em qualquer intensidade, não é considerada uma consequência normal do envelhecimento e merece avaliação médica.

A continência depende do funcionamento adequado de diversos mecanismos, incluindo os músculos do esfíncter anal, a sensibilidade da região, a capacidade de armazenamento do reto, a consistência das fezes e a coordenação entre todos esses fatores. Quando um ou mais desses mecanismos falham, pode surgir a incontinência fecal.

Por que acontece?

A incontinência fecal pode ter diversas causas e, muitas vezes, mais de um fator está envolvido ao mesmo tempo. Entre as causas mais comuns estão:

  • Lesões dos músculos do esfíncter anal relacionadas ao parto vaginal, especialmente em casos de lacerações obstétricas.
  • Cirurgias anais prévias com comprometimento da musculatura esfincteriana.
  • Doenças neurológicas, como doença de Parkinson, esclerose múltipla e neuropatia diabética.
  • Enfraquecimento da musculatura e das estruturas de suporte da pelve ao longo do envelhecimento.
  • Diarreia crônica, independentemente da causa.
  • Prolapso retal e outras alterações do assoalho pélvico.
  • Constipação crônica com impactação fecal e incontinência por transbordamento.

A incontinência fecal é mais frequente em mulheres, especialmente naquelas com histórico de parto vaginal. Em muitos casos, os sintomas surgem anos ou até décadas após a lesão que deu origem ao problema.

Como é a investigação?

A avaliação começa com uma consulta detalhada, incluindo histórico clínico e exame físico. Em muitos casos, a anuscopia também faz parte da avaliação inicial. A partir desses dados, é possível definir quais exames complementares são realmente necessários. Entre os exames mais utilizados estão:

  • Manometria anorretal, que avalia a força e a coordenação dos músculos responsáveis pela continência.
  • Ultrassonografia endoanal, capaz de identificar lesões dos esfíncteres anais.
  • Colonoscopia, quando houver indicação clínica.


O objetivo é identificar a causa da incontinência fecal em cada paciente. Como diferentes mecanismos podem estar envolvidos, compreender a origem do problema é fundamental para definir o tratamento mais adequado.

Como é o tratamento clínico?

Mesmo em casos que parecem mais graves, o tratamento costuma começar por medidas conservadoras, que frequentemente proporcionam melhora importante dos sintomas. As principais estratégias incluem:

  • Ajuste da consistência das fezes por meio da alimentação e, quando necessário, de medicações.
  • Controle de diarreia ou constipação associadas.
  • Fisioterapia do assoalho pélvico.
  • Biofeedback anorretal.
  • Exercícios para fortalecimento da musculatura pélvica.
  • Cuidados com a pele da região perianal.
  • Identificação e tratamento de doenças associadas.

O biofeedback merece destaque. Trata-se de uma técnica que auxilia o paciente a reconhecer e treinar adequadamente a musculatura envolvida na continência, podendo trazer melhora significativa em casos selecionados.

Quando a cirurgia pode ser necessária ?

Quando o tratamento clínico não proporciona o resultado esperado ou quando existe uma alteração estrutural importante identificada na investigação, opções cirúrgicas podem ser consideradas. Entre as principais estão:

  • Esfincteroplastia, em casos selecionados de lesão do esfíncter anal, com resultados que variam conforme o tipo e o tempo de evolução da lesão.
  • Neuromodulação sacral em pacientes selecionados.
  • Cirurgias para correção de prolapso retal ou outras alterações do assoalho pélvico.
  • Em situações excepcionais, confecção de estoma como alternativa para recuperação da qualidade de vida.

A escolha do tratamento depende da causa da incontinência, dos achados dos exames e das características de cada paciente. Não existe uma única solução que seja adequada para todos os casos.

O que você não deve fazer

Algumas atitudes podem piorar os sintomas ou atrasar o tratamento:

  • Reduzir a ingestão de líquidos por medo de escapes.
  • Utilizar absorventes continuamente sem cuidados adequados com a pele.
  • Abandonar a fisioterapia por acreditar que o problema não tem solução.
  • Considerar a perda de fezes ou gases uma consequência inevitável da idade.

Na maioria dos casos, a incontinência fecal não melhora espontaneamente. Quanto mais cedo o problema é investigado e tratado, maiores são as chances de controle dos sintomas e melhora da qualidade de vida.

Conclusão

A incontinência fecal é mais comum do que muitas pessoas imaginam e existem tratamentos eficazes para a maioria dos casos. O que mantém tantos pacientes em silêncio é a vergonha e a falsa impressão de que nada pode ser feito. Nenhuma das duas coisas deveria impedir alguém de procurar ajuda.

Se você convive com escapes de gases ou fezes, mesmo que ocasionais, vale uma avaliação especializada. Identificar a causa é o primeiro passo para definir o tratamento e recuperar a qualidade de vida.

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Você tem algum desses sintomas?

Se a incontinência fecal está afetando sua rotina, seu trabalho ou sua vida social, uma avaliação especializada pode ajudar a identificar a causa e definir as melhores opções de tratamento para o seu caso. Entre em contato com a equipe da Dra. Carolina Hungria e agende sua consulta em São José dos Campos.