Doença diverticular do cólon: sintomas, diferença entre diverticulose e diverticulite

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Carolina Hungria | Proctologista em São José dos Campos

Dor no lado esquerdo do abdome. Episódios de diverticulite que exigiram atendimento médico. Um laudo de colonoscopia ou tomografia mostrando “divertículos” e a dúvida sobre o que isso realmente significa. Essas situações são comuns e costumam gerar preocupação desnecessária, principalmente porque nem todo divertículo causa sintomas ou representa um problema de saúde. Neste artigo, explico o que são os divertículos, qual a diferença entre diverticulose e diverticulite e como o tratamento varia conforme a apresentação de cada caso.

O que é a doença diverticular?

Os divertículos são pequenas bolsas que se formam na parede do intestino grosso, mais frequentemente no cólon sigmoide, localizado no lado esquerdo do abdome. Eles surgem em áreas de maior fragilidade da parede intestinal, onde a pressão dentro do intestino favorece a protrusão da mucosa.

A presença de divertículos sem sintomas ou inflamação é chamada de diverticulose. Já quando ocorre inflamação de um ou mais divertículos, temos a diverticulite. Embora os termos sejam parecidos, representam situações diferentes e com abordagens distintas.

Quem tem mais chance de desenvolver?

Alguns fatores aumentam o risco de formação dos divertículos e de suas complicações. Entre os principais estão:

  • Idade acima dos 50 anos.
  • Dieta pobre em fibras.
  • Sedentarismo.
  • Obesidade.
  • Tabagismo.
  • Histórico familiar.

A presença de divertículos aumenta progressivamente com a idade. Após os 60 anos, eles são encontrados em uma parcela significativa da população, muitas vezes sem causar qualquer sintoma ao longo da vida.

Diverticulose: o que esperar?

A diverticulose corresponde à presença de divertículos no intestino grosso sem sinais de inflamação ou infecção. Na maioria das vezes, é um achado incidental durante uma colonoscopia realizada por outro motivo. Os principais pontos são:

  • A maioria das pessoas não apresenta sintomas.
  • Não exige tratamento específico.
  • Recomenda-se uma alimentação rica em fibras, hidratação adequada e prática regular de atividade física.
  • O acompanhamento médico pode ajudar a esclarecer dúvidas e orientar medidas de prevenção e saúde intestinal.

Não existe necessidade de restringir alimentos como sementes, milho, pipoca ou castanhas, como se acreditava antigamente. As evidências atuais não demonstram aumento do risco de diverticulite relacionado ao consumo desses alimentos.

Diverticulite: o que muda?

A diverticulite ocorre quando um ou mais divertículos ficam inflamados. Embora possa causar sintomas importantes, a maioria dos episódios é tratada sem necessidade de cirurgia. Os sintomas mais comuns incluem:

  • Dor abdominal persistente, geralmente no lado inferior esquerdo do abdome.
  • Febre.
  • Alteração no hábito intestinal.
  • Náuseas ou perda de apetite.
  • Em casos mais graves, sintomas urinários, mal-estar importante e comprometimento do estado geral

O diagnóstico costuma ser feito pela combinação da avaliação clínica com a tomografia computadorizada do abdome. Além de confirmar a inflamação dos divertículos, a tomografia permite identificar possíveis complicações, como abscessos, perfuração, fístulas ou estenoses.

Como é o tratamento da diverticulite?

O tratamento depende da gravidade do quadro e da presença de complicações. De forma geral, existem três cenários principais:

  • Diverticulite não complicada: na maioria dos casos pode ser tratada em casa, com hidratação, controle da dor, adaptação temporária da alimentação e acompanhamento médico. Em situações selecionadas, antibióticos podem ser necessários.
  • Diverticulite com sinais de gravidade ou em pacientes com maior risco de complicações: pode exigir internação hospitalar, hidratação venosa, antibióticos e monitorização mais próxima.
  • Diverticulite complicada, com abscesso, perfuração, fístula ou obstrução intestinal: pode necessitar de drenagem percutânea ou tratamento cirúrgico.

Após a resolução do quadro agudo, a colonoscopia costuma ser recomendada para avaliação completa do cólon e exclusão de outras doenças. O exame deve ser realizado somente após a recuperação da inflamação.

Quando indicar cirurgia?

A cirurgia não é necessária na maioria dos casos, mas pode ser indicada em situações específicas, como:

  • Complicações agudas graves, incluindo perfuração livre e peritonite.
  • Abscessos que não respondem adequadamente ao tratamento clínico ou à drenagem.
  • Estreitamento intestinal persistente com sintomas obstrutivos.
  • Fístulas para outros órgãos, como bexiga ou vagina.
  • Episódios recorrentes ou sintomas persistentes que impactam significativamente a qualidade de vida, após avaliação individualizada.

Quando indicada, a cirurgia pode ser realizada por técnica minimamente invasiva (videolaparoscópica) em grande parte dos casos, proporcionando recuperação mais rápida e menor dor pós-operatória quando comparada à cirurgia aberta.

Como reduzir o risco de novos episódios?

Alguns hábitos estão associados a menor risco de recorrência e melhor saúde intestinal:

  • Manter uma alimentação rica em fibras, com frutas, verduras, legumes e grãos integrais.
  • Garantir hidratação adequada.
  • Praticar atividade física regularmente.
  • Manter peso adequado.
  • Evitar o uso frequente de anti-inflamatórios sem orientação médica.
  • Não fumar.

Embora nenhuma medida elimine completamente o risco de novos episódios, essas estratégias estão associadas a melhores resultados a longo prazo.

Conclusão

A doença diverticular do cólon é extremamente comum e, na maioria das vezes, não causa sintomas ou complicações relevantes. Quando ocorre diverticulite, no entanto, a avaliação adequada é importante para definir a gravidade do quadro, orientar o tratamento e reduzir o risco de novos episódios.

Entender a diferença entre diverticulose e diverticulite ajuda a evitar preocupações desnecessárias e permite tomar decisões mais seguras sobre acompanhamento, alimentação e tratamento.

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