Dor no lado esquerdo do abdome. Episódios de diverticulite que exigiram atendimento médico. Um laudo de colonoscopia ou tomografia mostrando “divertículos” e a dúvida sobre o que isso realmente significa. Essas situações são comuns e costumam gerar preocupação desnecessária, principalmente porque nem todo divertículo causa sintomas ou representa um problema de saúde. Neste artigo, explico o que são os divertículos, qual a diferença entre diverticulose e diverticulite e como o tratamento varia conforme a apresentação de cada caso.
Os divertículos são pequenas bolsas que se formam na parede do intestino grosso, mais frequentemente no cólon sigmoide, localizado no lado esquerdo do abdome. Eles surgem em áreas de maior fragilidade da parede intestinal, onde a pressão dentro do intestino favorece a protrusão da mucosa.
A presença de divertículos sem sintomas ou inflamação é chamada de diverticulose. Já quando ocorre inflamação de um ou mais divertículos, temos a diverticulite. Embora os termos sejam parecidos, representam situações diferentes e com abordagens distintas.
Alguns fatores aumentam o risco de formação dos divertículos e de suas complicações. Entre os principais estão:
A presença de divertículos aumenta progressivamente com a idade. Após os 60 anos, eles são encontrados em uma parcela significativa da população, muitas vezes sem causar qualquer sintoma ao longo da vida.
A diverticulose corresponde à presença de divertículos no intestino grosso sem sinais de inflamação ou infecção. Na maioria das vezes, é um achado incidental durante uma colonoscopia realizada por outro motivo. Os principais pontos são:
Não existe necessidade de restringir alimentos como sementes, milho, pipoca ou castanhas, como se acreditava antigamente. As evidências atuais não demonstram aumento do risco de diverticulite relacionado ao consumo desses alimentos.
A diverticulite ocorre quando um ou mais divertículos ficam inflamados. Embora possa causar sintomas importantes, a maioria dos episódios é tratada sem necessidade de cirurgia. Os sintomas mais comuns incluem:
O diagnóstico costuma ser feito pela combinação da avaliação clínica com a tomografia computadorizada do abdome. Além de confirmar a inflamação dos divertículos, a tomografia permite identificar possíveis complicações, como abscessos, perfuração, fístulas ou estenoses.
O tratamento depende da gravidade do quadro e da presença de complicações. De forma geral, existem três cenários principais:
Após a resolução do quadro agudo, a colonoscopia costuma ser recomendada para avaliação completa do cólon e exclusão de outras doenças. O exame deve ser realizado somente após a recuperação da inflamação.
A cirurgia não é necessária na maioria dos casos, mas pode ser indicada em situações específicas, como:
Quando indicada, a cirurgia pode ser realizada por técnica minimamente invasiva (videolaparoscópica) em grande parte dos casos, proporcionando recuperação mais rápida e menor dor pós-operatória quando comparada à cirurgia aberta.
Alguns hábitos estão associados a menor risco de recorrência e melhor saúde intestinal:
Embora nenhuma medida elimine completamente o risco de novos episódios, essas estratégias estão associadas a melhores resultados a longo prazo.
A doença diverticular do cólon é extremamente comum e, na maioria das vezes, não causa sintomas ou complicações relevantes. Quando ocorre diverticulite, no entanto, a avaliação adequada é importante para definir a gravidade do quadro, orientar o tratamento e reduzir o risco de novos episódios.
Entender a diferença entre diverticulose e diverticulite ajuda a evitar preocupações desnecessárias e permite tomar decisões mais seguras sobre acompanhamento, alimentação e tratamento.
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